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Lendas do distrito de Beja
Lenda do Milagre de Ourique
A Batalha de Ourique é um episódio simbólico
para a monarquia portuguesa, pois conta-se que foi nela que D. Afonso Henriques
foi pela primeira vez aclamado rei de Portugal, em 25 de Julho de 1139. Foi
no campo de Ourique que se defrontaram o exército cristão e os
cinco reis mouros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja e os seus
guerreiros, que ocupavam o sul da península. A lenda conta que um pouco
antes da batalha, D. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem que o
rei já tinha visto em sonhos e que lhe fez uma revelação
profética de vitória. Contou-lhe ainda que "sem dúvida
Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos
da Sua Misericórdia, até à décima sexta descendência,
na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída,
Ele tornará a pôr os olhos e verá." O rei deveria ainda,
na noite seguinte, sair do acampamento sozinho logo que ouvisse a sineta da
ermida onde o velho vivia, o que aconteceu. O rei foi surpreendido por um raio
de luz que progressivamente iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir
aos poucos o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado. O rei emocionado ajoelhou-se
e ouviu a voz do Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e em outras
batalhas: por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria
o Seu império através do qual o Seu Nome seria levado às
nações mais estranhas e que teria para o povo português
grandes desígnios e tarefas. D. Afonso Henriques voltou confiante para
o acampamento e, no dia seguinte, perante a coragem dos portugueses os mouros
fugiram, sendo perseguidos e completamente dizimados. Conforme reza a lenda,
D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco escudos
ou quinas em cruz representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de
cristo, carregadas com os trinta dinheiros de Judas.
A Morte do Lidador Num dia longínquo de 1170, Gonçalo Mendes da
Maia, nomeado Lidador pelas muitas batalhas travadas e ganhas contra os Mouros,
decidiu celebrar os seus 95 anos com um ataque ao famoso mouro Almoleimar. Da
cidade de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta cavaleiros fidalgos
e trezentos homens de armas, sabendo de antemão que o exército
de Almoleimar era muitas vezes superior. Perto do meio-dia, pararam os cavaleiros
para descansar perto de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros. A primeira
seta feriu de morte um guerreiro português, o que fez com que o exército
cristão se pusesse em guarda. Frente a frente se mediam a destreza e
perícia árabes, invocando Allah, e a rudeza e força cristãs,
clamando por Santiago. A batalha começou e ambos os exércitos
se debateram com coragem, até que num dado momento Gonçalo Mendes
e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos. Um dos vários
golpes desferidos atingiu Gonçalo Mendes que, mesmo ferido, atacou com
raiva Almoleimar, que ripostou. O resultado foram dois golpes fatais, um dos
quais matou o mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido de
morte. O Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros que debandavam
em fuga até que o esforço de um último golpe sobre um cavaleiro
árabe lhe agravou os ferimentos. O Lidador caiu morto na terra juncada
de mais de mil corpos inimigos. Os cerca de sessenta cristãos sobreviventes
celebraram com lágrimas esta última vitória do Lidador.
Um sacerdote templário disse em voz baixa as palavras do Livro da Sabedoria:
"As almas dos justos estão na mão de Deus e não os
afligirá o tormento da morte".